História da Harmonia

Baixo contínuo

O “baixo contínuo” é uma técnica para composição que se baseia em uma visualização harmônica das notas graves, para dar sustentabilidade tonal ininterrupta às composições e com surgimento no período barroco. Os estudantes desta época aprendiam esta técnica para ampliar a capacidade criativa para composição e também para interpretação, já que era dada ao músico a liberdade de escolher, dentro do arranjo, a nota numerada ou cifrada que iria executar.   

Essa iniciativa para formalização do estudo teórico da harmonia, chamada de baixo numerado ou cifrado, era a notação do baixo contínuo feita colocando números e alterações que indicavam a formação do acorde a ser realizado partindo da nota mais grave. A numeração indicava os intervalos sobrepostos ao baixo, ou seja, o próprio acorde. Porém, essa teoria, mesmo tendo sido tão estudada e praticada, ainda não era a “teoria da harmonia” propriamente dita porque não analisava a sucessão dos acordes, que é feita dentro do contexto tonal, e não tratava do encadeamento entre eles do ponto de vista da condução de suas vozes; limitando-se à quantidade de notas e seus intervalos relacionadas ao som do baixo.

Harmonia Tradicional

Harmonia tradicional é a harmonia sob uma ótica plena do ponto de vista da escrita musical, ou seja, uma prática de análise dos conceitos harmônicos sem separá-los do conceito musical como um todo. A escrita, em pauta musical, de eventos como passagem, apojatura, retardamento, bordadura, antecipação e escapada, permanece envolvida no contexto da visualização dos caminhos da condução das vozes. Este aspecto metodológico passou a fazer parte de um conceito “tradicional” da harmonia, com tendência a focar sua aplicação na música de concerto de origem européia, todavia, a “harmonia tradicional” tem um horizonte de aplicação renovado dentro do crescente número de orquestras de câmara que surgem em reação ao declínio das grandes orquestras causado, sobre tudo, pela dificuldade em mantê-las.

Resumidamente, o que se pode afirmar é que o material tradicional da teoria da harmonia permanece em uso nos conceitos musicais modernos jazzísticos e similares do século XX, porém, voltada para a aplicação em instrumentos modernos e na simplificação prática, ao custo de uma uniformização da textura resultante, limitado-a na melodia única, na harmonia em blocos e na extrema diminuição do uso da escrita musical em pauta.

Harmonia Seccional

Harmonia seccional é a visão de que as escalas pertencem aos acordes, facilitando o ensino da improvisação exposto pelos manuais americanos de jazz e semelhantes. Nela, uma escala dó ré mi fá sol lá si, é analisada assim: dó, mi, sol e si são a fundamental, a terça, a quinta e a sétima do acorde, respectivamente, a nota ré é chamada de nona do acorde, fá é a décima primeira, lá a décima terceira e o, com suas variações intervalares.  

Execução Harmônica no Violão

Blocos sonoros: são os chamados acordes em plaquet (plaquetas, em catalão), são executados em perfeita simultaneidade, com resultado sonoro denso e ritmicamente marcante.

Arpejos rápidos: sua execução se dá fazendo soar as notas baixas e em conseguinte as notas médias e altas, pela vibração das cordas iniciando pelas superiores (no violão). Esta forma de execução harmônica é utilizada em composições de arranjos onde o propósito seja gerar um brilho maior que os acordes em plaquet. A execução harmônica com arpejos rápidos é a forma mais comum utilizada na execução com palheta, embora o formato de arpejos dedilhados também seja utilizado.

Arpejos Dedilhados: Trata-se de arpejos com padrão rítmico regular, com as notas do acorde distribuídas ao longo do tempo dos compassos, semelhante à maneira do baixo de Alberti, ou Baixo Alberti, em referência ao cantor, cravista e compositor italiano, Domenico Alberti (1710-1740), ao qual se atribui pioneirismo em fazer amplo uso do padrão de arpejo cuja ordem da execução é uma nota grave, depois uma alta, uma nota média conseguinte e novamente alta.

Arpejos: rápidos, dedilhados e melódicos

Arpejos são acordes tocados nota a nota, o que cria uma relação muito forte entre a melodia e a harmonia. Podemos utilizar essas técnicas nos arranjos de melodia acompanhada já que tocando o arpejo estamos tocando o próprio acorde. Os arpejos são classificados de três formas: arpejos rápidos, arpejos dedilhados e arpejos melódicos. A execução harmônica com arpejos rápidos é a forma mais comum utilizada na execução com palheta, embora o formato de arpejos dedilhados também seja utilizado. Arpejos dedilhados são todos formados com padrão rítmico regular, com as notas do acorde distribuídas ao longo do tempo dos compassos, semelhante à maneira do baixo de Alberti, ou Baixo Alberti, nas amplas formas de apresentação. Arpejos melódicos são formados com notas do acorde executados em linha melódica como as escalas empregadas na improvisação e criação de arranjo, executado em forma de baixo cantante na textura homofônica ou contrapontístico na textura polifônica. 

Chord Melody

O conceito jazzístico chamado “Chord Melody” utiliza dois tipos de execução harmônica, o bloco sonoro e o arpejo rápido, e utiliza a rearmonização como mecanismo para a realização do arranjo em melodias que possuem algum acompanhamento preestabelecido. Para o emprego desta técnica é indispensável um bom conhecimento de conceitos harmônicos para alterar o posicionamento dos acordes, acrescentar ou omitir notas aos acordes  e acrescentar acordes, rearmonizar.    

O uso do violão no choro

O Choro é um gênero musical caracterizado a partir da década de 1910, através do trabalho de Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, composto por obras de dificuldade técnica considerável, muitas vezes em andamentos rápidos, que exigem técnica apurada para execução com clareza de toque. Caracteriza-se basicamente por realização do ritmo de forma relaxada em relação ao pulso, uma articulação que enfatize a sincopa, e forma de frasear, geralmente sem exageros de dinâmica. Sua sonoridade leve e transparente evidencia o uso do violão com baixo cantante e acompanhamento semi-contrapontístico, porém, se mantendo como textura homofônica, caracterizada por uma linha melódica entrelaçada no plano harmônico.

Na melodia, aplicam-se apojaturas, bordaduras ornamentais e melódicas, cromatismo, arpejo maior descendente com sexta, frases longas, utilização da escala menor harmônica descendente sobre a dominante e valorização melódica do contratempo. O baixo é formado a partir dos encadeamentos de acordes invertidos, que se desenvolvem até os contornos melódicos, seu desenvolvimento pode se estender até a região médio-aguda do violão e envolver elementos da melodia. Ele pode exercer a função de condutor harmônico como baixo-melódico e baixo-pedal. Na harmonia destacam-se uso do acorde de Sexta Napolitana e o uso do acordes de dominantes secundária e substituta (subV7), além do uso intensivo de acordes invertidos. No ritmo nota-se principalmente o uso de síncope e quiálteras, e os instrumentos característicos são o cavaquinho, o pandeiro e violão de sete cordas, preferencialmente, para ampliar as possibilidades criativas nas notas baixas (graves).

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