Eusébio de Cesaréia

História Eclesiástica

Livro I

Capítulo 11

Testemunhos em relação a João Batista e Cristo.

1. Pouco tempo depois João Batista foi decapitado por Herodes, o mais jovem, como é referido nos Evangelhos. Josefo também registra o mesmo fato, fazendo menção de Herodias pelo nome, e afirmando que, embora ela fosse esposa de seu irmão, Herodes a fez sua própria esposa depois de se divorciar de sua ex-esposa legítima, que era a filha de Aretas, rei de Petra, e separou Herodias de seu marido enquanto ele ainda estava vivo.
2. Foi por causa dela também que ele matou João e travou uma guerra com Aretas, por causa da desgraça infligida a filha deste. Josefo relata que, nesta guerra, quando eles foram para a batalha, todo o exército de Herodes foi destruído, e que sofreu esta calamidade por conta de seu crime contra João.
3. O mesmo Josefo confessa nesta conta que João Batista era um homem extremamente justo, e, portanto, está de acordo com o que foi escrito sobre ele nos Evangelhos. Ele registra também que Herodes perdeu seu reino por conta da mesma Herodias, e que ele foi levado para o exílio com ela, e condenados a viver em Viena, na Gália.
4. Ele relata essas coisas no livro XVIII das Antiguidades, onde ele escreve sobre João com as seguintes palavras: Pareceu a alguns dos judeus que o exército de Herodes, havia sido destruído por Deus, que vingou com justiça o chamado João, o Batista.
5. Porque Herodes havia matado um homem bom e alguém que exortava os judeus a receberem o batismo praticando a virtude e a justiça no exercício para com o próximo e para com Deus; o batismo parecia aceitável a ele, quando empregado, não para a remissão de pecados, mas para a purificação do corpo, logo que a alma já tivesse sido purificada em justiça.
6. E quando os outros se reuniram sobre ele (já que encontravam muito prazer na escuta das suas palavras), Herodes temeu que a sua grande influência pudesse levar a alguma sedição, já que eles pareciam prontos para fazer tudo o que ele pudesse aconselhar. Ele, portanto, considerava muito melhor, antes que qualquer ato viesse a ser cometido sob a influência de João, antecipar-se por matá-lo, do que se arrepender depois que uma revolução tivesse chegado e ele se encontrasse em meio às dificuldades. Por conta da suspeita de Herodes, João foi enviado prisioneiro para a cidadela acima mencionada de Maqueronte, e lá morto.
7. Após relatar estas coisas a respeito de João, ele faz menção de nosso Salvador, na mesma obra, com as seguintes palavras: “E viveram naquele tempo Jesus, um homem sábio, se é que ser apropriado chamá-lo de homem, pois ele era executor de milagres e professor de tais homens que recebem a verdade com alegria. Ele atraiu para si muitos judeus, e também muitos gregos. Ele era o Cristo.
8. Quando Pilatos, sob a acusação de nossos principais homens, condenou-o à cruz, aqueles que o amavam no começo não deixaram de amá-lo. E ele lhes apareceu vivo novamente no terceiro dia, os profetas divinos haviam dito essas e inúmeras outras coisas maravilhosas a respeito dele. Além disso, os cristãos, assim chamados com relação a ele, existem até os dias atuais.”
9. Uma vez que um historiador, que é um dos hebreus, tem registrado em sua obra estas coisas a respeito de João Batista e nosso Salvador, que desculpa resta para não serem condenados a destituírem todos os atos vergonhosos que forjaram contra ele? Mas que isto seja suficiente aqui.
 

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