Eusébio de Cesaréia

História Eclesiástica

Livro I

Capítulo 7

A discrepância alegada nos Evangelhos no que diz respeito à genealogia de Cristo.

1. Mateus e Lucas em seus evangelhos nos deram diferentes genealogias de Cristo, e muitos supõem que elas estão em desacordo. Desde como consequência cada crente, na ignorância da verdade, tem sido zeloso para inventar alguma explicação que deve harmonizar as duas passagens, nos permite juntar em anexo à conta da questão que chegou até nós, e que é dada por Africanus, que foi mencionado por nós anteriormente, em sua epístola aos Aristides, onde ele discute a harmonia das genealogias do evangelho. Depois de refutar as opiniões dos outros, como forçada e enganosa, ele deu conta que tinha recebido da tradição com estas palavras:
2. “Considerando que os nomes das gerações foram contados em Israel ou de acordo com a natureza ou de acordo com a lei; – de acordo com a natureza, a sucessão dos filhos legítimos, e de acordo com a lei, sempre que outro levantasse uma criança com o nome de um irmão que morreu sem filhos; já que uma esperança clara de ressurreição não havia ainda se dado e que tinham uma representação da promessa futura como uma espécie de ressurreição mortal, para que o nome de um falecido pudesse ser perpetuado; –
3. ao passo que, em seguida, alguns dos que estão inseridos nesta tabela genealógica sucedido por descendência natural, o filho ao pai, enquanto outros, embora nascidas de um pai, foram atribuídas pelo nome para outro, foi feita menção de ambos aqueles que eram progenitores de fato e daqueles que eram tão somente no nome.
4. Assim, nenhum dos evangelhos está em erro, pois um, estima pela natureza, e outro pela lei. Para a linha de descendência de Salomão, e que a partir de Natan eram tão envolvidos um com o outro pelo levantamento de crianças a pessoas sem filhos e pelo segundo casamento, que as mesmas pessoas são justamente consideradas como pertencentes ao mesmo tempo a um, e em outro momento a outro; isto é, um momento aos pais reputados e em outro aos pais reais. Portanto, estas duas contas são estritamente verdadeiras e descem até José com complexidade considerável de fato, porém, com bastante precisão.
5. Mas, para que o que eu disse fique claro vou explicar a troca de gerações. Se nós contamos as gerações de Davi através de Salomão, o terceiro encontrado desde o final é para ser Matã, que gerou Jacó, pai de José. Mas se, com Lucas, nós contarmos de Natã, filho de Davi, da mesma maneira o terceiro desde o final é Melqui, cujo filho Heli era o pai de José, pois José era filho de Heli, filho de Melqui.
6. José, portanto, sendo o objeto proposto por nós, é preciso demonstrar como que é apresentado como seu pai, a Jacó, que deriva sua descendência de Salomão, e Heli, que descende de Natã; primeiro como é que Jacó e Heli foram irmãos, e logo, como é que se declara que os seus pais, Matã e Melqui, embora de famílias diferentes, sejam os avôs do José.
7. O fato de Matã e Melqui terem se casado em sucessão com a mesma mulher, gerou filhos que eram irmãos uterinos, pois a lei não proíbe a viúva, se tal pelo divórcio ou pela morte de seu marido, de se casar com outro.
8. Então, por Esta (esse era o nome da mulher de acordo com a tradição) Matã, um descendente de Salomão, primeiramente gerou Jacó. E quando Matã estava morto, Melqui, que descende de Natã, sendo da mesma tribo, mas de outra família, se casou com ela, como antes dito, e gerou o filho Heli.
9. Assim, vamos encontrar os dois, Jacó e Heli, embora pertencentes a diferentes famílias, ainda irmãos pela mesma mãe. Destes, o único, Jacó, quando seu irmão Heli morreu sem filhos, tomou a esposa e gerou deste último por seu filho José, seu próprio filho, por natureza, e de acordo com a razão. Por isso também está escrito: “Jacó gerou José”. [Mateus 01:06] Mas, de acordo com a lei, ele era o filho de Heli, pois Jacó, sendo seu irmão, suscitou descendência para ele.
10. Daí a genealogia traçada por ele não será anulada, o que o evangelista Mateus, em sua enumeração mostra que Jacó gerou José, mas Lucas, por outro lado, diz: “Quem foi o filho, como se cuidava” (para isso, ele também adiciona), “José, filho de Heli, filho de Melqui”, porque ele não poderia expressar de forma mais clara a geração de acordo com a lei. E a expressão “que gerou”, ele omitiu em sua mesa genealógica até o final, traçando a genealogia de volta a Adão, filho de Deus. Esta interpretação não é nem improvável nem tão pouco é uma conjectura ociosa.
11. Para os parentes de nosso Senhor segundo a carne, seja com o desejo de se gabarem ou simplesmente desejando expor o fato, em ambos os casos, na verdade, já se proferiu a seguinte conta: Alguns ladrões Idumeus, tendo atacado Ascalom, cidade da Palestina, levaram de um templo de Apolo que se situava perto dos muros, além dos objetos, Antípatro, filho de certo escravo do templo (hieródulo) chamado Herodes. E desde que o sacerdote não foi capaz de pagar o resgate por seu filho, Antípatro foi educado nos costumes dos idumeus, e depois foi ajudado por Hircano, o sumo sacerdote dos judeus.
12. E, tendo sido enviado por Hircano em uma embaixada a Pompeu, e tendo restaurado a ele o reino que tinha sido invadido por seu irmão Aristóbulo, ele teve a sorte de ser nomeado procurador da Palestina. Mas Antípatro foi morto por aqueles que tinham inveja de sua grande sorte e foi sucedido por seu filho Herodes, que foi depois, por um decreto do senado, se fez rei dos judeus sob Antonio e Augusto. Seus filhos foram Herodes e os outros tetrarcas. Estes relatos concordam também com os dos gregos.
13. Mas como tinham sido mantidas nos arquivos até aquele momento as genealogias dos hebreus, bem como daqueles que traçaram sua linhagem de volta para prosélitos, como Aquior os amonitas e Rute, a moabita, e para aqueles que se misturaram com os israelitas e saíram do Egito com eles, Herodes; na medida em que a linhagem dos israelitas não contribuiu em nada para a sua vantagem, e desde que ele foi instigado com a consciência de sua própria origem ignóbil, queimou todos os registros genealógicos, pensando que ele se passaria de nobre origem se ninguém fosse capaz, a partir dos registros públicos, de remontar sua descendência, aos patriarcas ou prosélitos e estrangeiros que se misturavam com eles, e que foram chamados geyoras.
14. Alguns cuidadosos, contudo, tendo obtido registros particulares, ou lembrando-se dos nomes ou ainda adquirindo-os de algum outro modo a partir dos registros originais, orgulha-se de si mesmos pela conservação da memória da sua origem nobre. Entre estes são aqueles despósinoi já mencionados, assim chamados, em virtude de sua conexão com a família do Salvador. Vindo de Nazara e Cocaba, as aldeias da Judéia, em outras partes do mundo, desenharam a genealogia supracitada da memória e do livro de registros diários o mais fielmente possível.
15. Se, no entanto, o caso é assim ou não, ninguém conseguiu encontrar uma explicação mais clara, porém é minha própria opinião e de cada pessoa sincera. E isto basta, pois, embora não temos nenhum testemunho em seu apoio, não temos nada melhor ou mais verdadeiro para oferecer. Em qualquer caso, o Evangelho diz a verdade, e no final da mesma epístola, ele acrescenta estas palavras: “Matã, que era descendente de Salomão, gerou a Jacó. E quando Matã estava morto, Melqui, que era descendente de Natã gerou Heli pela mesma mulher. Heli e Jacó eram, portanto, irmãos uterinos. Heli morreu sem filhos, e Jacó suscitou descendência para ele, gerando José, seu próprio filho por natureza, mas filho de Heli por lei. Assim José era filho de ambos”.
17. Até agora Africanus. E a linhagem de José sendo assim traçada, Maria também está praticamente demonstrada ser da mesma tribo que ele, uma vez que, de acordo com a lei de Moisés, não foram autorizados os casamentos entre diferentes tribos. Já que a ordem é se casar com um da mesma família e linhagem, para que a herança não passe de tribo para tribo. Isto pode ser suficiente aqui. 

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