Educação Física adaptada para cadeirantes

Apresentar a importância de aulas adaptadas para alunos cadeirantes no desenvolvimento de atividades físicas, bem como os esforços necessários por parte dos profissionais de Educação Física para que a inserção dessas pessoas seja efetivamente plena. 

Diante das dificuldades de participação de cadeirantes nas aulas de Educação Física, como incluir esses alunos num ambiente escolar para a prática de atividades físicas?

O deficiente como indivíduo inserido no contexto escolar, deve ter suas necessidades específicas atendidas de modo a facilitar sua interação nas atividades de Educação Física. Ele precisa encontrar oportunidades e alternativas que o insira efetivamente nas práticas de Educação Física, visando proporcionar-lhe maior liberdade para expressar aquilo que lhe é favorável, levando em consideração suas dificuldades e limitações. 

Propor formas de aplicação da Educação Física para pessoas com deficiências físicas deve ser uma prática constante na busca de soluções efetivas para que a inclusão dessas pessoas seja plena em todas as modalidades de exercícios em que as dificuldades causadas pela deficiência não as impeçam de praticá-los. Na ênfase à prática da Educação Física por pessoas que fazem uso de cadeira de rodas, “cadeirantes”, deve-se enfatizar a necessidade de uma avaliação da história médica, o potencial do movimento e as funções motoras. (JOGOS, ESPORTES E EXERCÍCIOS PARA O DEFICIÊNTE FÍSICO, 1985, p. 15)

Entendemos atividades adaptadas como a busca de adequação de meios para se executar uma tarefa diante da ausência ou da impossibilidade de se usar os meios convencionais. Portanto, podemos entender por desporto para deficiente aquele que é elaborado para atender exclusivamente a essa população.

“Graças às atividades recreativas, os deficientes físicos encontraram a motivação necessária para participar da comunidade mais amplamente,  para produzir, trabalhar e assumir papeis de liderança na comunidade.” 

As ações dos professores em fazer com que os alunos com deficiência participem das aulas de Educação Física são importantíssimas, pois, nessa aula é o momento na qual os alunos podem e tem mais contato uns com os outros, fazendo com que aprendam a respeitar as diferenças. No entanto, não basta apenas que tenha essa inclusão dos alunos com deficiência na aula, há também a necessidade de educar ministrando aulas prazerosas que estimulem a cooperação e principalmente a inclusão.  Silva e Salgado (2005) afirmam ainda que devam ser implantadas culturas de inclusão e que para isso três idéias centrais são necessárias. A primeira é o entendimento do que é cultura, segundo deve-se levar em consideração que a inclusão não se restringe àqueles com necessidades especiais e terceiro que o professor deve ter uma perspectiva humanista, ou seja, enxergar e entender como ocorrem as relações sociais naquele ambiente e como cada aluno se sente durante esse processo. (Revista Olhar Científico – Faculdades Associadas de Ariquemes – V. 01, n.2, Ago./Dez. 2010)

O desporto adaptado no Brasil desenvolve-se dentro de uma estrutura diferenciada daquela em que se desenvolve o desporto para pessoas ditas “normais”. O desporto para pessoas portadoras de deficiência organiza dentro de uma estrutura diferente da estabelecida pelo desporto dos não portadores de deficiência. 

Após a última grande guerra, vários governos implementaram serviços de reabilitação para o tratamento de soldados lesados. O desporto adaptado nasce dentro deste contexto, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos da América. E o Brasil segue esta regra: inicia tessitura das organizações dos clubes de esporte adaptado, influenciado pelos países que iniciaram esse tipo de atividade.

 A origem do desporto adaptado é de difícil localização no tempo e na literatura. Porém, ao definirmos a que desporto nos referimos, torna-se viável sua localização. Assim, o desporto praticado atualmente pelas pessoas portadoras de deficiências teve seu início após a segunda guerra mundial.

O primeiro programa de esporte em cadeira de rodas foi iniciado no Hospital de Stoke Mandeville em 1945, com o objetivo de trabalhar o tronco e os membros superiores e diminuir o tédio da vida hospitalar. O Jornal SuperAção (1988), divulga que:

“Os primeiros resultados desta prática relatam que, em um ano de trabalho o Dr. Guttmann conseguiu preparar seis paraplégicos para o mercado de trabalho e reconheceu que as atividades esportivas, como ocupação terapêutica, eram importantes na reabilitação psicossocial dos deficientes, deu-lhes a oportunidade de competir, não só no esporte como em todos os campos sociais”. 

(DESPORTO ADAPTADO NO BRASIL: ORIGEM, IN STITUCIONALIZAÇÃO E ATUALIDADE, Brasília, 1998, p. 11, 13, 17, 18, 20 e 21)

A Educação Física aborda diversas práticas corporais, que segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997) trazem muitos benefícios para os portadores de necessidades especiais, quanto desenvolvimento das capacidades perceptivas, afetivas, de integração e inserção social. Ainda segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais a Educação Física tem como um de seus princípios a inclusão do aluno na cultura corporal de movimento, a qual deve procurar reverter o paradigma da seleção entre indivíduos aptos e inaptos para as práticas corporais, a partir da valorização exacerbada do desempenho e da eficiência da pessoa.

 Para Chatard (1992), a natação é um dos esportes mais apropriado para o individuo com algum tipo de deficiência, devido aos benefícios e as facilidades proporcionadas pela execução de movimentos com o corpo imerso na água. A natação desenvolve coordenação, condicionamento aeróbico, reduz a espasticidade, e resulta em menos fadiga que outras atividades. Para a Association of Swimming Therapy (1986), o milagre da água é tornar a separação ou distinção menos nítida, frequentemente impercebíveis, pois nós todos somos mais iguais na água; as muletas e as cadeiras são deixadas de lado e flutuamos, grosseiramente, no mesmo nível e deste modo, desfrutamos de igualdade de nível e de mesmo nível de fala. Segundo o autor, a água fornece muito apoio e, quando usada corretamente, pode estimular ou relaxar o nadador deficiente, proporcionando ao mesmo, autonomia.

 A busca de um bem estar físico e psicológico, visando uma melhor qualidade de vida, levou os portadores de deficiência a procurar a prática de diversas atividades físicas. (BARROS, 2000). Focado nessa perspectiva, o presente trabalha busca apresentar as variantes que resultam numa textura do que vêm a ser a prática da Educação Física por pessoas com deficiências, mais especificamente aquelas que se utilizam de cadeiras de rodas, chamadas cadeirantes, e sua receptividade por parte dos professores de Educação Física. (MOVIMENTUM – Revista Digital de Educação Física – Ipatinga: Unileste-MG – V.3 – N.2 – Ago/Dez. 2008.)

 As escolas devem acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem acolher crianças com deficiência e crianças bem dotadas; crianças que vivem nas ruas e que trabalham; crianças de populações distantes ou nômades; crianças de minorias lingüísticas, étnicas ou culturais e crianças de outros grupos ou zonas desfavorecidas ou marginalizadas (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA: CORDE, 1994, p.73).

Érica Barcellos, trabalho para o 1º semestre de Educação Física.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIATION OF SWIMMING THERAPY, 1986

BARROS, 2000

CHATARD, 1992

COMITÊ PARAOLÍMPICO BRASILEIRO, (imagens) ww.cpb.org.br

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA: CORDE, 1994, p.73

DESPORTO ADAPTADO NO BRASIL: ORIGEM, IN STITUCIONALIZAÇÃO E ATUALIDADE, Brasília, 1998, p. 11, 13, 17, 18, 20 e 21

JOGOS, ESPORTES E EXERCÍCIOS PARA O DEFICIÊNTE FÍSICO, 1985, p. 15

JORNAL SUPERAÇÃO, 1988

MOVIMENTUM – Revista Digital de Educação Física – Ipatinga: Unileste-MG – V.3 – N.2 – Ago/Dez. 2008

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – BRASIL, 1997

REVISTA OLHAR CIENTÍFICO, Faculdades Associadas de Ariquemes – V. 01, n.2, Ago./Dez. 2010

SILVA E SALGADO, 2005

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